segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

JOÃO CLÍMACO (580-650)

São João Clímaco, foi o maior dos monges do Monte Sinai. João nasceu na Palestina, por volta do ano 580.

De grande formação literária e religiosa, entre os 18 e 20 anos decidiu-se pelo deserto e viajou para o Monte Sinai, tornando-se discípulo de um venerável ancião, Martírio.

Isso aconteceu depois de renunciar à fortuna da família e a uma posição social promissora. Preferiu um cotidiano feito de oração, jejum continuado, trabalho duro e estudos profundos. Só descia ao vale para recolher frutas e raízes para sua parca alimentação e só se reunia aos demais monges nos fins de semana, para um culto coletivo.

Sua fama se espalhou e, logo, João foi eleito por unanimidade abade geral de todos os eremitas da serra do Monte Sinai.

Dele se conserva um livro que teve ampla divulgação na idade média, "Escada do Paraíso". Livro que lhe trouxe também o sobrenome Clímax que, em grego, significa "escada". A Escada é um resumo da vida espiritual, concebida para os solitários e contemplativos. Para Clímaco, a oração é a mais alta expressão da vida solitária; ela se desenvolve pela eliminação das imagens e dos pensamentos. Daí a necessidade da 'monologia', isto é, a invocação curta, de uma só palavra, incansavelmente repetida, que paralisa a dispersão do espírito. Essa repetição deve assimilar-se com a respiração.

João Clímaco faleceu por volta do ano 650.

PENSAMENTOS DE JOÃO CLÍMACO

"O verdadeiro monge: o olhar da alma, imóvel; o sentido corporal, inabalável... uma luz que não se apaga aos olhos do coração"

"Aqueles cujo espírito aprendeu a orar, na verdade falam ao Senhor face a face, como os que falam ao ouvido do imperador; aqueles cuja boca ora, fazem lembrar os que se prostram diante do imperador, na presença de toda corte. Os que vivem no mundo, são os que dirigem sua súplica ao imperador, na balbúrdia de todo povo"

"Que vossa oração ignore toda multiplicidade: uma única palavra bastou ao Publicano e ao filho pródigo para obter o perdão"

"O grande herói da sublime e perfeita oração diz: 'prefiro dizer cincopalavras com a minha inteligência...'(1Cor 14,19). As crianças pequenas não tem idéia disso: imperfeito como somos, com a qualidade também nos é necessaria a quantidade. A segunda consegue para nós a primeira..."

"A solidão do corpo é a ciência e a paz da conduta e dos sentidos; a solidão da alma, a ciência dos pensamentos e um espírito inviolável. O amigo da solidão é um espírito de sentinela, valente e inflexível, sem sono, à porta do coração, para derrubar e matar os que se aproximam".

"O hesicasta é quem aspira a limitar o incorporal numa morada de carne. O gato aspira o ratinho; o espírito do hesicasta espreita o ratinho invisível".

"O monge tem necessidade de grande vigilância e de um espírito isento de agitação. O cenobita tem frequentemente o apoio de um irmão; o monge, o de um anjo".

"Fechai a porta da cela a vosso corpo, a porta dos lábios às palavras, a porta interior aos sentido".

"A obra da solidão (hesychia) é uma despreocupação total por todas as coisas, razoáveis ou não".

"Basta um fio de cabelo para embaralhar a vista; basta uma simples preocupação para dissipar a solidão (hesychia), pois a solidão é despojamento dos pensamentos e renúncia às preocupações razoáveis".

"Quem possui verdadeiramente a paz, não se preocupa mais com o próprio corpo".

"Quem quer apresentar a Deus um espírito purificado, e se deixa perturbar pelas preocupações, assemelha-se a alguém que tivesse entravado fortemente as pernas e pretendesse correr".

"É grande a utilidade da leitura para esclarecer e recolher o espírito".

"Procurai vossas luzes sobre a ciência da santidade, mais nos trabalhos do que nos livros".

"Quem se sente diante de Deus, do fundo do coração, será como uma coluna imóvel durante a oração".

"O monge que vela é um pescador de pensamentos; sabe distingui-los sem dificuldade, na calma da noite, e apanha-los".

"Nada de rebuscamento nas palavras de vossa oração: quantas vezes os balbucios simples e monótonos das crianças fazem o pai ceder!"

"Não vos entregueis a longos discursos, para que vosso espírito não se dissipe na procura das palavras. Uma única palavra do Publicano comoveu a miseriocórdia de Deus; uma única palavra cheia de fé salvou o Ladrão".

"A prolixidade na oração frequentemente enche o espírito de imagens e o dissipa, enquanto muitas vezes o efeito de uma única palavra (monologia) é recolhê-lo".

"Senti-vos consolados e enternecidos por uma palavra da oração? Parai nessa palavra; isso quer dizer que o nosso anjo da guarda então ora conosco".

"Nada de segurança demais, mesmo tento conseguido a pureza; mas, sim, uma grande humildade, e sentireis então maior confiança".

"Quando vos tiverdes revestido da doçura da ausência de ira, não vos será mais muito custoso libertar vosso espírito do cativeiro".

"Trabalhai para elevar o vosso pensamento, ou melhor, para recolhê-lo nas palavras de vossa oração; se a fraqueza da inância o faz cair, levantai-o".

"O primeiro degrau da oração consiste em expulsar, por meio de um pensamento (ou uma palavra) simples e fixo (monologicamente), as sugestões, no momento mesmo em que se manifestam. O segundo, em conservar nosso pensamento unicamente no que dizemos e pensamos".

"Ressuscitados do amor pelo mundo e pelos prazeres, afastai as preocupações, despojai-vos dos pensamentos, renunciai ao corpo, uma vez que a oração nada mais é que um exílio do mundo visível e invisível".

"Não se aprende a ver; é um efeito da natureza. A beleza da oração também não se aprende através do ensinamento. Ela tem em si própria o seu mestre; Deus 'que ensina ao homem o saber' (Sl 94,10) dá a oração e abençoa os anos dos justos".

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