A NUVEM DO NÃO-SABER é um livro clássico da espiritualidade monástica. Foi escrito por um monge inglês no século XIV. Ele ensina uma oração/meditação não discursiva, em que entra-se em si mesmo e dirige-se a Deus ou o olhar interior ou uma palavrinha curta. Segundo o autor o acesso a Deus não se faz pelo pensamento ou pela razão, mas pelo silêncio.
O nosso amor nu — nu por estar despojado de pensamento — deve elevar-se até Deus, oculto por trás da nuvem do não-saber. Com a nuvem do não-saber por cima de mim — entre meu Deus e eu, e a nuvem do esquecimento debaixo —, entre todas as criaturas e mim, encontro nele o "silêncio místico", que o autor inglês conhece pela obra do Pseudo-Dionísio.
Além da influência exercida por esse livro na espiritualidade de sua época, cabe a nosso tempo ter redescoberto — depois de cinco séculos de esquecimento quase total — um autor que parece estar em moda nos movimentos de oração e meditação cristã e não cristã no Ocidente. "Neste clima, os que procuram um guia místico não podem fazer nada melhor do que se dirigir ao autor anônimo do século XIV de A Nuvem do não-saber." "Trata-se de um inglês místico, teólogo e diretor de almas, que se situa em plena corrente da tradição espiritual do Ocidente. Um escritor de grande força e de notável talento literário, que compôs quatro tratados originais e três traduções".
Abaixo alguns trechos de A Nuvem do Não-Saber...
PENSAMENTOS DE A NUVEM DO NÃO-SABER
"Ó Deus, a quem todos os corações estão abertos, para quem o desejo é eloquente e de quem nenhuma coisa secreta é escondida, purificai os pensamentos de meu coração pelo transbordar de vosso Espírito em mim, que eu possa amar-vos com um amor perfeito e louvar-vos como vós mereceis. Amém!"
"Pois quando você começa a executá-lo pela primeira vez, tudo quanto você encontra é escuridão, uma espécie de nuvem do "não-saber"; você não pode dizer o que é, exceto que você sente, através de sua vontade, um simples desejo de alcançar Deus. Esta escuridão com a nuvem está sempre entre você e o seu Deus, não importa o que você faça, e é esta que o impede de ver Deus claramente através da luz do entendimento de sua razão, ou ainda que o impede de conhecer Deus na doçura do amor em sua própria afeição. Portanto, comece a descansar nesta escuridão enquanto você puder, gritando sempre por Ele, a quem você ama".
"Aquele a quem nossa mente não pode compreender, o nosso coração pode abraçar."
"Portanto, organize bem o seu tempo e a forma como o utiliza. Nada é mais precioso que o tempo. Uma pequena partícula de tempo, por menor que seja, é preciosa, pois devido a ela o céu pode ser ganho ou perdido."
"Portanto, preste cuidadosa atenção a este exercíco e ao modo maravilhoso como ele age dentro de sua alma. Pois quando é bem compreendido, ele nada mais é do que um súbito impulso, algo que chega sem avisar, elevando-se, voando rapidamente até chegar a Deus, como a faísca voa para cima partindo do carvão ardente".
"Eleve seu coração para Deus com um humilde impulso de amor; e tome Ele mesmo como seu objetivo e não como qualquer um de seus bens. Tenha cuidado: evite pensar em outra coisa que não seja nele mesmo, de maneira que não haja coisa alguma em que a sua razão ou a sua vontade trabalhe, exceto Ele mesmo. Faça tudo o que estiver ao seu alcance para esquecer todas as criaturas que Deus já criou, para que, nem o seu pensamento, nem o seu desejo, em geral ou em particular, sejam dirigidos ou estendidos a qualquer uma delas. Deixe-as em paz e não preste atenção nelas. Esta é a obra que mais agrada a Deus".
"Assim, portanto, pode-se entender logo o método deste trabalho e perceber claramente que ele se encontra muito afastado de qualquer fantasia ou falsa imaginação ou opinião sutil: uma vez que todas estas não são ocasionadas por aquele simples, devoto e humilde impulso do amor, mas por um raciocínio orgulhoso, especulativo e excessivamente imaginativo...."
"Portanto, pelo amor de Deus, tome cuidado neste exercício e de nenhum modo trabalhe com seus sentidos ou com a sua imaginação. Pois, eu lhe digo sinceramente, este exercício não pode ser alcançado através do trabalho deles; assim, pois, deixe-os e não trabalhe com eles."
"Tenho algo a lhe dizer: tudo quanto você pensar está acima de você durante este espaço de tempo, e está entre você e o seu Deus. Na medida em que houver alguma coisa em sua mente exceto Deus só, nesse mesmo instante você estará longe de Deus."
"Agora, porém, você me faz uma pergunta dizendo: "Como eu poderia pensar nele mesmo e o que Ele é?" A isto eu só posso responder nestes termos: "Não tenho a menor idéia". Pois, com esta pergunta, você me introduziu nessa mesma escuridão, nessa mesma nuvem do não-saber onde eu gostaria que você mesmo estivesse. Porque um homem pode, pela graça, possuir a plenitude do conhecimento de todas as criaturas e das suas obras como também das obras do próprio Deus, e ele é bem capaz de refletir sobre elas. Mas homem nenhum pode pensar em Deus como Ele mesmo".
"Portanto, embora o pensamento seja uma luz e uma parte da contemplação, mesmo assim neste exercício, ele deve ser rejeitado e coberto com uma nuvem do esquecimento. Você deve pisar por cima dela corajosamente mas com amor, e munido de um amor devoto, agradável e impulsivo esforçar-se para atravessar essa escuridão acima de você. Você tem que bater nessa nuvem do não-saber com um dardo afiado de amor ardente".
"Se surgir algum pensamento que continue a pressionar, acima de você e entre você e essa escuridão, e lhe perguntar: "O que você procura e o que gostaria de ter?", você deve dizer que é a Deus que gostaria de ter: "É Ele que eu almejo, Ele a quem eu procuro, e nada além dele". E caso o seu pensamento indagar quem é esse Deus, você deve responder que é o Deus que criou você e o resgatou, e que, com a sua graça o chamou para seu amor. E diga: "Você não tem nenhum papel para representar". Portanto, diga ao pensamento: "Vá para baixo novamente". Esmague-o rapidamente com um impulso de amor, mesmo que este pareça ser muito santo..."
"Portanto, quando você iniciar este exercício, e souber por experiência, através da graça, que você está sendo chamado por Deus para isso, levante então seu coração para Deus com um humilde impulso de amor e destine-o ao Deus que criou você e o resgatou, e que na sua graça chamou você para este exercício. Não tenha outro pensamento sobre Deus; nem mesmo qualquer um destes pensamentos, a menos que seja de seu agrado. Pois uma simples aproximação em linha reta a Deus é suficiente, sem nenhuma outra causa exceto Ele próprio. Se você quiser, pode ter esta extensão envolvida e cingida em uma só palavra. Por isso, a fim de obter melhor compreensão disto, tome só uma palavrinha, de uma sílaba, preferivelmente, ou de duas; pois quanto mais curta, melhor, de acordo com este exercício do espírito. Assim é a palavra 'DEUS' ou a palavra 'AMOR'".
"O silenciar dos nossos sentidos físicos conduz muito mais facilmente à experiência das coisas espirituais; da mesma maneira, o silenciar de nossas faculdades espirituais conduz a um conhecimento experimental de Deus, tanto quanto este seja possível, através da graça, na vida presente."
"Trabalhe com afinco neste 'nada' e neste em 'parte alguma', e abandone seus sentidos físicos externos como também os objetivos de sua atividade. Pois eu lhe digo sinceramente que este exercício não pode ser compreendido por eles".
"Pois está determinado pela natureza que através dos sentidos físicos os homens tenham conhecimento de todas as coisas físicas, e não que através destas tomem conhecimento de coisas espirituais".
"Nós fomos feitos para amar e todo o resto foi criado para tornar o amor possível"
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
SÃO BOAVENTURA (1218-1274)
Boaventura nasceu em 1218, no centro da Itália. Foi bispo e reconhecido doutor da Igreja de Cristo, que chamou pescadores, camponeses para segui-lo no carisma de Francisco de Assis, mas também homens cultos e de ciência. Boaventura era um destes homens de muita ciência, porém de maior humildade e conhecimento de Deus.
Certa vez Boaventura ao ficar muito doente recebeu a cura por meio de uma oração feita por São Francisco de Assis, que percebendo a graça tomou-o nos braços e disse: "Ó, boa ventura!"
Entrou na Ordem Franciscana e pelo estudo e oração exerceu sua vocação franciscana e sacerdócio na santidade, ao ponto do seu mestre qualificar-lhe assim: "Parece que o pecado original nele não achou lugar".
São Boaventura antes de se destacar como santo bispo, já chamava - sem querer - a atenção pela sua cultura e ciência Teológica, por isso ao lado de Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino caracterizaram o século XIII como o tempo de sínteses teológicas. Certa vez um frei lhe perguntou se poderia salvar-se, já que desconhecia a ciência teológica; a resposta do santo não foi outra: "Se Deus dá ao homem somente a graça de poder amá-lo isso basta... Uma simples velhinha poderá amar a Deus mais que um professor de teologia". O Doutor Seráfico, assumiu muitas responsabilidades, como ministro geral da Ordem Franciscana e como bispo.
Feito cardeal, teve então que aceitar a consagração episcopal, que antes, por humildade tinha recusado. Recebeu do papa Gregório X a missão de preparar o segundo Concílio de Lião.
Morreu no dia 15 de julho de 1274, assistido pessoalmente pelo papa. Entre os seus livros mais conhecidos está “O Itinerário da Mente para Deus”.
PENSAMENTOS DE SÃO BOAVENTURA
"Veio sobre ela (Maria) o Espírito Santo como fogo divino que inflamou sua mente e santificou sua carne, conferindo-lhe uma pureza perfeitíssima... Oh, se tu fosses capaz de sentir, de algum modo, qual e quão grande foi o incêndio que desceu do céu, que refrigério se produziu... "
"A abundância dos bens temporais é um empecilho para a alma, impedindo-a de voar para Deus".
"Mais segura e humilde está a alma no ouvido do que na língua".
"A ciência que por amor da virtude se despreza, pela virtude se adquire melhor".
"Se eu nada mais puder fazer, meu Jesus, procurarei vossas chagas e aí permanecerei".
"Se o meu Redentor, por causa de meus pecados; me atirasse longe de Si, lançar-me-ia aos pés de sua Mãe e, prostrado, não me levantaria enquanto Ela não me obtivesse o perdão. Ela não deixaria de fazer violência ao Coração de Jesus para que me perdoe".
"Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias na paixão do Senhor".
"Interroga a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto; o gemido da oração, não o estudo do que vê; o esposo, não o mestre; Deus, não o homem; a fuligem não a clareza; não a luz, mas aquele fogo que tudo penetra com sua chama e reporta a Deus com excessivas unções e com ardentíssimos afetos".
"A Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que ele nos teve: é de certo modo, a síntese de todos os benefícios que ele nos fez".
"Ó Jesus, trespassaram vosso lado para nos abrir uma porta; feriram vosso coração para nos abrir nessa sagrada vinha, um asilo seguro de toda perturbação externa".
"Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça".
"Cada sacerdote no altar deveria ser inteiramente identificado com Nossa Senhora, porque como por meio dela é que nos foi dado este Santíssimo Corpo, assim é pelas mãos dela que Ele deve ser oferecido a nós".
"Todas as coisas criadas são sombras, ecos, imagens ou semelhanças de Deus, que é a Causa Primeira de todas as coisas"
"Já que toda a natureza divina esteve nas entranhas da Santíssima Virgem, não duvido dizer que em toda distribuição de graças tem certa jurisdição essa Virgem, de cujas entranhas como de um oceano da divindade, emanam os rios de todas as graças"
"Pela oração se obtém todos os bens e a libertação de todos os males".
"Assim como o rei julgaria traidor o capitão, que sitiado em uma praça, não lhe pedisse socorro, assim Deus considera traidor aquele que, vendo-se assaltado pelas tentações, a Ele não recorresse pedindo auxílio".
"Em um dia ganha o homem, pela oração, mais do que vale o mundo".
"Às vezes, se obtém mais depressa com uma breve oração, o que dificilmente se alcançaria com boas obras"
"Assim como nunca cessa a luta, assim também nunca devemos deixar de pedir a misericórdia divina, para não sermos vencidos".
"Quem não se ilumina com o esplendor de coisas tão grandes como o mundo e as coisas criadas, é cego. Quem com todas essas coisas não se põe a louvar a Deus, é mudo. Quem, a partir de indícios tão evidentes, não volta a mente para Deus, que é o primeiro princípio, é tolo"
"A oração é conversão da alma a Deus. Queres saber como hás de converter tua alma a Deus? Pois então ouve. Quando estás a orar deves recolher-te todo em ti mesmo e entrar com o Amado no aposento do teu coração e ali permanecer a sós com o Só, esquecido de todas as coisas exteriores e erguer-te acima de ti mesmo com todo o coração, com toda a alma, com todo afeto, com todo desejo, com toda devoção. E não hás de afrouxar o espírito de oração, mas por longo tempo hás de subir para o alto, por meio do ardor da devoção, até entrares no tabernáculo admirável, até a casa de Deus. E ali, visto de algum modo o teu Esposo com os olhos da alma e tendo saboreado de certa maneira a suavidade do Senhor e a grande afluência de sua doçura, cai nos seus braços e com os lábios fechados oscula-o com beijos de íntima devoção a fim de que, de todo alheado de ti mesmo, totalmente arrebatado ao céu, transformado todo em Cristo, não possas deter teu espírito, mas que digas, exclamando com o profeta Davi: 'Recusou a minha alma consolar-se, lembrei-me de Deus e me deleitei'".
"É pobre quando nasce, mais pobre durante a vida, pobre em extremo quando morre sobre a cruz".
"Morramos, pois, e entremos nas trevas; imponhamos silêncio às solicitudes, às concupiscências aos fantasmas; passemos com Cristo crucificado deste mundo ao Pai".
"Segundo os seis graus da ascenção a Deus, são as seis potências da alma, pelas quais ascendemos do último ao sumo, do exterior ao interior, do transitório ao eterno: os sentidos, a imaginação, a razão, o entendimento, a inteligência e o ápice da mente, ou a centelha da consciência. Esses graus, nós os temos em nós, plantados na natureza, deformados pela culpa, reformados pela graça, e devemos purificá-los com a justiça, praticá-los com a ciência, aperfeiçoá-los com a sabedoria".
"Quando uma alma olha para Deus toda a natureza lhe parece insignificante".
"O puríssimo Coração de Maria foi o Horto e Paraíso do Espírito Santo, jardim de delícias em que viceja toda a sorte de flores e se aspira toda a fragrância das virtudes... Ó Coração de amor, porque te converteste em esfera de dor? Contemplo, Senhora, o Teu Coração e nele vejo, não o coração mas a mirra, o absinto e o fel! Ó vulnerada Senhora, fere também os nossos corações! Porque não possuo ao menos o Teu Coração, para que, aonde quer que eu vá, Te veja sempre crucificada com Teu Filho!"
"A santa Missa tem tantas maravilhas quantas são as gotas de água no oceano, os grãozinhos de poeira no ar, as estrelas no firmamento, e os Anjos no céu. Nela se operam, quotidianamente, tantos mistérios que não sei se, em tempo algum, a mão onipotente de Deus fez obra melhor e mais sublime".
“Maria foi verdadeiramente forte e terna, doce e rigorosa ao mesmo tempo, rígida consigo mesma, pródiga para conosco! É, pois, a Ela que devemos amar e venerar acima de todas as coisas, em segundo lugar, após levarmos nosso amor à suprema Trindade e a seu Santíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, cujo mistério divino não pode ser expressado por língua alguma”.
“Deus não comunica vida à alma nem a ela se une (...) a não ser que ela se aqueça com o desejo da pátria celeste e do próprio Amado”.
“Não devemos duvidar do fato de que a bem-aventurada Mãe e Virgem Maria, possuidora de um coração vigoroso e determinação sempre constante, desejava dar seu Filho para a salvação do gênero humano, de tal forma que a Mãe viveu, em tudo, conforme o Pai”.
Certa vez Boaventura ao ficar muito doente recebeu a cura por meio de uma oração feita por São Francisco de Assis, que percebendo a graça tomou-o nos braços e disse: "Ó, boa ventura!"
Entrou na Ordem Franciscana e pelo estudo e oração exerceu sua vocação franciscana e sacerdócio na santidade, ao ponto do seu mestre qualificar-lhe assim: "Parece que o pecado original nele não achou lugar".
São Boaventura antes de se destacar como santo bispo, já chamava - sem querer - a atenção pela sua cultura e ciência Teológica, por isso ao lado de Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino caracterizaram o século XIII como o tempo de sínteses teológicas. Certa vez um frei lhe perguntou se poderia salvar-se, já que desconhecia a ciência teológica; a resposta do santo não foi outra: "Se Deus dá ao homem somente a graça de poder amá-lo isso basta... Uma simples velhinha poderá amar a Deus mais que um professor de teologia". O Doutor Seráfico, assumiu muitas responsabilidades, como ministro geral da Ordem Franciscana e como bispo.
Feito cardeal, teve então que aceitar a consagração episcopal, que antes, por humildade tinha recusado. Recebeu do papa Gregório X a missão de preparar o segundo Concílio de Lião.
Morreu no dia 15 de julho de 1274, assistido pessoalmente pelo papa. Entre os seus livros mais conhecidos está “O Itinerário da Mente para Deus”.
PENSAMENTOS DE SÃO BOAVENTURA
"Veio sobre ela (Maria) o Espírito Santo como fogo divino que inflamou sua mente e santificou sua carne, conferindo-lhe uma pureza perfeitíssima... Oh, se tu fosses capaz de sentir, de algum modo, qual e quão grande foi o incêndio que desceu do céu, que refrigério se produziu... "
"A abundância dos bens temporais é um empecilho para a alma, impedindo-a de voar para Deus".
"Mais segura e humilde está a alma no ouvido do que na língua".
"A ciência que por amor da virtude se despreza, pela virtude se adquire melhor".
"Se eu nada mais puder fazer, meu Jesus, procurarei vossas chagas e aí permanecerei".
"Se o meu Redentor, por causa de meus pecados; me atirasse longe de Si, lançar-me-ia aos pés de sua Mãe e, prostrado, não me levantaria enquanto Ela não me obtivesse o perdão. Ela não deixaria de fazer violência ao Coração de Jesus para que me perdoe".
"Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias na paixão do Senhor".
"Interroga a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto; o gemido da oração, não o estudo do que vê; o esposo, não o mestre; Deus, não o homem; a fuligem não a clareza; não a luz, mas aquele fogo que tudo penetra com sua chama e reporta a Deus com excessivas unções e com ardentíssimos afetos".
"A Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que ele nos teve: é de certo modo, a síntese de todos os benefícios que ele nos fez".
"Ó Jesus, trespassaram vosso lado para nos abrir uma porta; feriram vosso coração para nos abrir nessa sagrada vinha, um asilo seguro de toda perturbação externa".
"Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça".
"Cada sacerdote no altar deveria ser inteiramente identificado com Nossa Senhora, porque como por meio dela é que nos foi dado este Santíssimo Corpo, assim é pelas mãos dela que Ele deve ser oferecido a nós".
"Todas as coisas criadas são sombras, ecos, imagens ou semelhanças de Deus, que é a Causa Primeira de todas as coisas"
"Já que toda a natureza divina esteve nas entranhas da Santíssima Virgem, não duvido dizer que em toda distribuição de graças tem certa jurisdição essa Virgem, de cujas entranhas como de um oceano da divindade, emanam os rios de todas as graças"
"Pela oração se obtém todos os bens e a libertação de todos os males".
"Assim como o rei julgaria traidor o capitão, que sitiado em uma praça, não lhe pedisse socorro, assim Deus considera traidor aquele que, vendo-se assaltado pelas tentações, a Ele não recorresse pedindo auxílio".
"Em um dia ganha o homem, pela oração, mais do que vale o mundo".
"Às vezes, se obtém mais depressa com uma breve oração, o que dificilmente se alcançaria com boas obras"
"Assim como nunca cessa a luta, assim também nunca devemos deixar de pedir a misericórdia divina, para não sermos vencidos".
"Quem não se ilumina com o esplendor de coisas tão grandes como o mundo e as coisas criadas, é cego. Quem com todas essas coisas não se põe a louvar a Deus, é mudo. Quem, a partir de indícios tão evidentes, não volta a mente para Deus, que é o primeiro princípio, é tolo"
"A oração é conversão da alma a Deus. Queres saber como hás de converter tua alma a Deus? Pois então ouve. Quando estás a orar deves recolher-te todo em ti mesmo e entrar com o Amado no aposento do teu coração e ali permanecer a sós com o Só, esquecido de todas as coisas exteriores e erguer-te acima de ti mesmo com todo o coração, com toda a alma, com todo afeto, com todo desejo, com toda devoção. E não hás de afrouxar o espírito de oração, mas por longo tempo hás de subir para o alto, por meio do ardor da devoção, até entrares no tabernáculo admirável, até a casa de Deus. E ali, visto de algum modo o teu Esposo com os olhos da alma e tendo saboreado de certa maneira a suavidade do Senhor e a grande afluência de sua doçura, cai nos seus braços e com os lábios fechados oscula-o com beijos de íntima devoção a fim de que, de todo alheado de ti mesmo, totalmente arrebatado ao céu, transformado todo em Cristo, não possas deter teu espírito, mas que digas, exclamando com o profeta Davi: 'Recusou a minha alma consolar-se, lembrei-me de Deus e me deleitei'".
"É pobre quando nasce, mais pobre durante a vida, pobre em extremo quando morre sobre a cruz".
"Morramos, pois, e entremos nas trevas; imponhamos silêncio às solicitudes, às concupiscências aos fantasmas; passemos com Cristo crucificado deste mundo ao Pai".
"Segundo os seis graus da ascenção a Deus, são as seis potências da alma, pelas quais ascendemos do último ao sumo, do exterior ao interior, do transitório ao eterno: os sentidos, a imaginação, a razão, o entendimento, a inteligência e o ápice da mente, ou a centelha da consciência. Esses graus, nós os temos em nós, plantados na natureza, deformados pela culpa, reformados pela graça, e devemos purificá-los com a justiça, praticá-los com a ciência, aperfeiçoá-los com a sabedoria".
"Quando uma alma olha para Deus toda a natureza lhe parece insignificante".
"O puríssimo Coração de Maria foi o Horto e Paraíso do Espírito Santo, jardim de delícias em que viceja toda a sorte de flores e se aspira toda a fragrância das virtudes... Ó Coração de amor, porque te converteste em esfera de dor? Contemplo, Senhora, o Teu Coração e nele vejo, não o coração mas a mirra, o absinto e o fel! Ó vulnerada Senhora, fere também os nossos corações! Porque não possuo ao menos o Teu Coração, para que, aonde quer que eu vá, Te veja sempre crucificada com Teu Filho!"
"A santa Missa tem tantas maravilhas quantas são as gotas de água no oceano, os grãozinhos de poeira no ar, as estrelas no firmamento, e os Anjos no céu. Nela se operam, quotidianamente, tantos mistérios que não sei se, em tempo algum, a mão onipotente de Deus fez obra melhor e mais sublime".
“Maria foi verdadeiramente forte e terna, doce e rigorosa ao mesmo tempo, rígida consigo mesma, pródiga para conosco! É, pois, a Ela que devemos amar e venerar acima de todas as coisas, em segundo lugar, após levarmos nosso amor à suprema Trindade e a seu Santíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, cujo mistério divino não pode ser expressado por língua alguma”.
“Deus não comunica vida à alma nem a ela se une (...) a não ser que ela se aqueça com o desejo da pátria celeste e do próprio Amado”.
“Não devemos duvidar do fato de que a bem-aventurada Mãe e Virgem Maria, possuidora de um coração vigoroso e determinação sempre constante, desejava dar seu Filho para a salvação do gênero humano, de tal forma que a Mãe viveu, em tudo, conforme o Pai”.
RUYSBROECK (1293-1381)
Jan van Ruysbroeck, chamado 'o Admirável', foi um místico belga, de expressão flamenga, nascido em 1293, na aldeia que lhe deu o nome, nas proximidades de Bruxelas.
Depois de estudos em Bruxelas, Jan van Ruysbroeck foi ordenado sacerdote em 1317. Ali permaneceu a serviço da catedral de Santa Gúdula. Por volta dos seus 50 anos se retirou para uma ermida numa floresta, acompanhado por seu tio e outros amigos. Ali iniciaram uma vida austera, meio eremítica e meio conventual, alternando a oração com o trabalho. Ao ser organizada a comunidade em mosteiro regular, foi eleito seu primeiro Prior, em 1350, fato que gerou ao mesmo tempo sua grande influência. Ruysbroeck era procurado por inúmeras pessoas procurando orientação espiritual e mística.
Obras (cerca de 12):
- O Adorno das Bodas Espirituais, em três livros, respectivamente sobre as formas da vida ativa, vida interior, e vida contemplativa;
- O Livro de Quatro Encantos;
- Da Fé Cristã;
- O Espelho da Salvação Eterna, em que a alma se espelha como imagem de Deus;
- Ensino da Bíblia sobre Cristo;
- O Tabernáculo, imaginando sete moradas no interior da alma;
- O Reino dos Amantes de Deus, sobre os dons do Espírito Santo;
- O Livro da Verdade Suprema, explicando os dons a que se refere o anterior;
- O Livro dos Sete Claustros, ou sete renúncias;
- As Doze Virtudes, as virtudes que servem de meios para atingir a contemplação;
- Quatro Tentações, em que, entre outros temas, é refutado o panteísmo dos "irmãos do livre espírito".
Nos seus escritos Ruysbroeck expôs uma espiritualidade que abandona o formalismo intelectualista da escolástica de até então, enveredando por um misticismo mais acentuado e por uma linguagem simbólica.
Classifica-se Ruysbroek, como Tauler e Gerson, entre os místicos ortodoxos, diferentes do modelo, por exemplo de Eckhart, mais próximo do panteísmo e da tradição neoplatônica derivada através de Pseudo Dionísio e de Escoto Erígena. Contudo se mantém próximo a estes outros.
Ruysbroeck exerceu enorme influência na teologia mística dos séculos posteriores. É um dos autores que teve a influência mais profunda e universal na teologia mística. É um dos maiores autores ascético-místicos de todos os tempos.
Os textos de Ruysbroeck, que usa o flamengo, se destinam ao leitor simples. Ele inspirou muitos outros autores, tanto do mesmo flamengo, como de outras línguas para as quais se operou tradução. Caracterizam-se pelo uso de imagens sensíveis, através das quais Ruysbroeck busca mostrar uma verdade mais ao fundo.
Ruysbroeck constitue uma ponte entre a escola alemã de Eckhart, Tauler e Henrique Suso, da qual aprendeu muito, e a "Devotio Moderna", a qual ensinou muito.
Ruysbroeck faleceu com 88 anos, em 1381, em odor de santidade e rodeado por numerosos discípulos.
Em 1908 Ruysbroeck foi beatificado pela Igreja.
PENSAMENTOS DE RUYSBROECK
"Enquanto vivemos nas sombras não podemos ver o próprio sol, pois como disse São Paulo enxergamos obscuramente através de um espelho. Mesmo assim a sombra é iluminada pelo sol de modo a percebermos as distinções entre todas as virtudes e toda a verdade que são de valor para nossa condição mortal. Mas se havemos de nos tornar unos com a luz do sol devemos seguir o amor e esquecer de nós mesmos no "Sem-Caminho", e então o sol atrairá a nós, com nossos olhos cegos, para dentro de seu fulgor, onde possuiremos a unidade com Deus... Em Sua benevolência Ele quer ser todo nosso: então Ele nos ensina a viver nas riquezas das virtudes. Em Seu toque interno todos os nossos poderes nos abandonam, e então sentamos sob Sua sombra, e Seu fruto é doce para nossos sentidos, pois o fruto de Deus é o Filho de Deus, a Quem o Pai faz nascer em nosso espírito. Este Fruto é tão infinitamente doce aos nossos sentidos que não podemos nem engolí-lo e nem assimilá-lo, mas antes é Ele quem nos absorve em Si mesmo e nos assimila em Si mesmo".
"Ó Deus, arquejo em meu desejo mas não posso comungar com o Senhor. Quanto mais eu como mais selvagem é a minha fome; quanto mais eu bebo, mais violenta é a minha sede. Persigo o que foge de mim e enquanto persigo, aumenta meu desejo".
"Quando lerdes, cantardes ou rezardes... prestai atenção ao sentido das palavras que pronunciardes e às idéias que exprimem, porque estais executando um serviço sob o olhar divino".
"Se, durante a recitação das Horas, fordes assaltados por pensamentos ou imaginações estranhas, fazei de modo a vos recolherdes novamente sem vos perturbardes, porque somos instáveis por natureza; mas apressai-vos em tornar a Deus. Com intenção e com amor".
"Ó Deus, deseje o íntimo do meu espírito para que eu possa vê-Lo como o Senhor me vê, e possa amá-Lo como o Senhor me ama".
"Ame o amor que o ama duradouramente, pois quanto mais amá-lo, mais Ele o amará. ... E quanto mais a alma rende-se à atração de Deus, mais ansiará por amá-lo".
"O homem interior entra em si de maneira simples, acima de toda a atividade e de todos os valores, a fim de aplicar-se a um simples olhar no amor de fruição e ali encontra Deus, sem intermediário".
"Não podemos contemplar Deus pelo próprio Deus, sem intermediário, se não nos perdermos na indeterminação sem caminho e numa obscuridade onde todos os contemplativos erram no prazer, sem nunca mais se voltarem a encontrar a si mesmos segundo a forma da criatura".
"Aqui, o espírito morre na beatitude da fruição, dissolve-se na nudez essencial onde todos os nomes de Deus, todas as condições e todas as imagens que se refletem no espelho da verdade divina mergulham na simplicidade sem nome da essência, no sem-caminho onde nenhum raciocínio tem poder".
"Nós contemplamos intensamente aquilo que somos; e aquilo que contemplamos, isso mesmo somos: assim a nossa mente, vida e essência é elevada e unida à própria verdade, que é Deus. Nesta simples e intensa contemplação somos uma única vida e um único espírito com Deus. Esta chamo eu vida contemplativa".
"As ordens mais altas (Querubins, Serafins, Tronos) não se unem em nossa luta contra nossos vícios, mas moram conosco apenas quando, acima de todo conflito, estamos em paz com Deus, em contemplação e em perene amor".
"Aquele que é dotado de boa vontade, promete-se a ele próprio, e deseja ardentemente amar a Deus e servi-lo, não somente nesta vida, mas durante a eternidade".
"O espírito possui Deus essencialmente na sua nua natureza e Deus possui o espírito. O espírito vive em Deus e Deus vive nele. Esta unidade essencial reside em Deus; se ela faltasse, todas as criaturas seriam reduzidas ao nada".
"Este brilho é tão grande que o amante contemplativo, sobre o chão em que repousa, não vê nem sente nada exceto uma Luz incompreensível; e apesar desta Nudez Simples que engloba todas as coisas, ele se descobre e sente a si mesmo como sendo esta mesma Luz através da qual ele vê e nada mais... Benditos os olhos que vêem assim, pois eles possuem a vida eterna".
"Se pudéssemos renunciar a nós mesmos e a todo o egoísmo em nosso trabalho, deveríamos, com nosso espírito nu de imagens, transcender todas as coisas, e sem intermediários ser conduzidos pelo Espírito de Deus até a Nudez... Quando transcendermos a nós mesmos, e nos tornarmos, em nossa ascensão para Deus, tão simples que o amor nu das alturas possa nos tomar, onde o amor abraça o amor, acima do exercício de qualquer virtude - isto é, em nossa Origem, de Onde nascemos espiritualmente - então cessamos, e nós e toda nossa individualidade morre em Deus".
"Lá ele encontra revelada uma Luz Eterna, e nesta Luz ele sente a eterna demanda pela Divina Unidade, e ele sente ser ele mesmo um eterno fogo de amor, que deseja acima de tudo ser uno com Deus. Quanto mais atende a esta demanda, mais a sente... e assim pode-se ver que a Unidade interior de Deus não é nada mais do que o Amor insondável... e portanto devemos todos alicerçar nossas vidas sobre um abismo insondável, para que possamos mergulhar eternamente no Amor e nos precipitarmos na Profundeza insondável".
"O homem deve mergulhar naquela Nudez sem imagens que é Deus; esta é a primeira condição, e o fundamento, de uma vida espiritual".
"Aqueles que seguem o caminho do amor, são os mais ricos dos viventes: São ousados, francos e destemidos, não têm aflições nem preocupações, pois o Espírito Santo carrega todos os seus fardos. Eles não procuram aparências exteriores, nem desejam nada que o homem estima, não ostentam uma conduta especial, e passariam por homens bons como quaisquer outros".
"A segunda vinda de Cristo, nosso Esposo, tem lugar cada día dentro dos homens de bem; geralmente e muitas vezes, com graças e dons novos, em todos aqueles que se aprestam a si mesmos por ela, cada um segundo seu poder"
Depois de estudos em Bruxelas, Jan van Ruysbroeck foi ordenado sacerdote em 1317. Ali permaneceu a serviço da catedral de Santa Gúdula. Por volta dos seus 50 anos se retirou para uma ermida numa floresta, acompanhado por seu tio e outros amigos. Ali iniciaram uma vida austera, meio eremítica e meio conventual, alternando a oração com o trabalho. Ao ser organizada a comunidade em mosteiro regular, foi eleito seu primeiro Prior, em 1350, fato que gerou ao mesmo tempo sua grande influência. Ruysbroeck era procurado por inúmeras pessoas procurando orientação espiritual e mística.
Obras (cerca de 12):
- O Adorno das Bodas Espirituais, em três livros, respectivamente sobre as formas da vida ativa, vida interior, e vida contemplativa;
- O Livro de Quatro Encantos;
- Da Fé Cristã;
- O Espelho da Salvação Eterna, em que a alma se espelha como imagem de Deus;
- Ensino da Bíblia sobre Cristo;
- O Tabernáculo, imaginando sete moradas no interior da alma;
- O Reino dos Amantes de Deus, sobre os dons do Espírito Santo;
- O Livro da Verdade Suprema, explicando os dons a que se refere o anterior;
- O Livro dos Sete Claustros, ou sete renúncias;
- As Doze Virtudes, as virtudes que servem de meios para atingir a contemplação;
- Quatro Tentações, em que, entre outros temas, é refutado o panteísmo dos "irmãos do livre espírito".
Nos seus escritos Ruysbroeck expôs uma espiritualidade que abandona o formalismo intelectualista da escolástica de até então, enveredando por um misticismo mais acentuado e por uma linguagem simbólica.
Classifica-se Ruysbroek, como Tauler e Gerson, entre os místicos ortodoxos, diferentes do modelo, por exemplo de Eckhart, mais próximo do panteísmo e da tradição neoplatônica derivada através de Pseudo Dionísio e de Escoto Erígena. Contudo se mantém próximo a estes outros.
Ruysbroeck exerceu enorme influência na teologia mística dos séculos posteriores. É um dos autores que teve a influência mais profunda e universal na teologia mística. É um dos maiores autores ascético-místicos de todos os tempos.
Os textos de Ruysbroeck, que usa o flamengo, se destinam ao leitor simples. Ele inspirou muitos outros autores, tanto do mesmo flamengo, como de outras línguas para as quais se operou tradução. Caracterizam-se pelo uso de imagens sensíveis, através das quais Ruysbroeck busca mostrar uma verdade mais ao fundo.
Ruysbroeck constitue uma ponte entre a escola alemã de Eckhart, Tauler e Henrique Suso, da qual aprendeu muito, e a "Devotio Moderna", a qual ensinou muito.
Ruysbroeck faleceu com 88 anos, em 1381, em odor de santidade e rodeado por numerosos discípulos.
Em 1908 Ruysbroeck foi beatificado pela Igreja.
PENSAMENTOS DE RUYSBROECK
"Enquanto vivemos nas sombras não podemos ver o próprio sol, pois como disse São Paulo enxergamos obscuramente através de um espelho. Mesmo assim a sombra é iluminada pelo sol de modo a percebermos as distinções entre todas as virtudes e toda a verdade que são de valor para nossa condição mortal. Mas se havemos de nos tornar unos com a luz do sol devemos seguir o amor e esquecer de nós mesmos no "Sem-Caminho", e então o sol atrairá a nós, com nossos olhos cegos, para dentro de seu fulgor, onde possuiremos a unidade com Deus... Em Sua benevolência Ele quer ser todo nosso: então Ele nos ensina a viver nas riquezas das virtudes. Em Seu toque interno todos os nossos poderes nos abandonam, e então sentamos sob Sua sombra, e Seu fruto é doce para nossos sentidos, pois o fruto de Deus é o Filho de Deus, a Quem o Pai faz nascer em nosso espírito. Este Fruto é tão infinitamente doce aos nossos sentidos que não podemos nem engolí-lo e nem assimilá-lo, mas antes é Ele quem nos absorve em Si mesmo e nos assimila em Si mesmo".
"Ó Deus, arquejo em meu desejo mas não posso comungar com o Senhor. Quanto mais eu como mais selvagem é a minha fome; quanto mais eu bebo, mais violenta é a minha sede. Persigo o que foge de mim e enquanto persigo, aumenta meu desejo".
"Quando lerdes, cantardes ou rezardes... prestai atenção ao sentido das palavras que pronunciardes e às idéias que exprimem, porque estais executando um serviço sob o olhar divino".
"Se, durante a recitação das Horas, fordes assaltados por pensamentos ou imaginações estranhas, fazei de modo a vos recolherdes novamente sem vos perturbardes, porque somos instáveis por natureza; mas apressai-vos em tornar a Deus. Com intenção e com amor".
"Ó Deus, deseje o íntimo do meu espírito para que eu possa vê-Lo como o Senhor me vê, e possa amá-Lo como o Senhor me ama".
"Ame o amor que o ama duradouramente, pois quanto mais amá-lo, mais Ele o amará. ... E quanto mais a alma rende-se à atração de Deus, mais ansiará por amá-lo".
"O homem interior entra em si de maneira simples, acima de toda a atividade e de todos os valores, a fim de aplicar-se a um simples olhar no amor de fruição e ali encontra Deus, sem intermediário".
"Não podemos contemplar Deus pelo próprio Deus, sem intermediário, se não nos perdermos na indeterminação sem caminho e numa obscuridade onde todos os contemplativos erram no prazer, sem nunca mais se voltarem a encontrar a si mesmos segundo a forma da criatura".
"Aqui, o espírito morre na beatitude da fruição, dissolve-se na nudez essencial onde todos os nomes de Deus, todas as condições e todas as imagens que se refletem no espelho da verdade divina mergulham na simplicidade sem nome da essência, no sem-caminho onde nenhum raciocínio tem poder".
"Nós contemplamos intensamente aquilo que somos; e aquilo que contemplamos, isso mesmo somos: assim a nossa mente, vida e essência é elevada e unida à própria verdade, que é Deus. Nesta simples e intensa contemplação somos uma única vida e um único espírito com Deus. Esta chamo eu vida contemplativa".
"As ordens mais altas (Querubins, Serafins, Tronos) não se unem em nossa luta contra nossos vícios, mas moram conosco apenas quando, acima de todo conflito, estamos em paz com Deus, em contemplação e em perene amor".
"Aquele que é dotado de boa vontade, promete-se a ele próprio, e deseja ardentemente amar a Deus e servi-lo, não somente nesta vida, mas durante a eternidade".
"O espírito possui Deus essencialmente na sua nua natureza e Deus possui o espírito. O espírito vive em Deus e Deus vive nele. Esta unidade essencial reside em Deus; se ela faltasse, todas as criaturas seriam reduzidas ao nada".
"Este brilho é tão grande que o amante contemplativo, sobre o chão em que repousa, não vê nem sente nada exceto uma Luz incompreensível; e apesar desta Nudez Simples que engloba todas as coisas, ele se descobre e sente a si mesmo como sendo esta mesma Luz através da qual ele vê e nada mais... Benditos os olhos que vêem assim, pois eles possuem a vida eterna".
"Se pudéssemos renunciar a nós mesmos e a todo o egoísmo em nosso trabalho, deveríamos, com nosso espírito nu de imagens, transcender todas as coisas, e sem intermediários ser conduzidos pelo Espírito de Deus até a Nudez... Quando transcendermos a nós mesmos, e nos tornarmos, em nossa ascensão para Deus, tão simples que o amor nu das alturas possa nos tomar, onde o amor abraça o amor, acima do exercício de qualquer virtude - isto é, em nossa Origem, de Onde nascemos espiritualmente - então cessamos, e nós e toda nossa individualidade morre em Deus".
"Lá ele encontra revelada uma Luz Eterna, e nesta Luz ele sente a eterna demanda pela Divina Unidade, e ele sente ser ele mesmo um eterno fogo de amor, que deseja acima de tudo ser uno com Deus. Quanto mais atende a esta demanda, mais a sente... e assim pode-se ver que a Unidade interior de Deus não é nada mais do que o Amor insondável... e portanto devemos todos alicerçar nossas vidas sobre um abismo insondável, para que possamos mergulhar eternamente no Amor e nos precipitarmos na Profundeza insondável".
"O homem deve mergulhar naquela Nudez sem imagens que é Deus; esta é a primeira condição, e o fundamento, de uma vida espiritual".
"Aqueles que seguem o caminho do amor, são os mais ricos dos viventes: São ousados, francos e destemidos, não têm aflições nem preocupações, pois o Espírito Santo carrega todos os seus fardos. Eles não procuram aparências exteriores, nem desejam nada que o homem estima, não ostentam uma conduta especial, e passariam por homens bons como quaisquer outros".
"A segunda vinda de Cristo, nosso Esposo, tem lugar cada día dentro dos homens de bem; geralmente e muitas vezes, com graças e dons novos, em todos aqueles que se aprestam a si mesmos por ela, cada um segundo seu poder"
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
MIGUEL DE MOLINOS (1628-1697)
O sacerdote católico espanhol, Miguel de Molinos aparece como sendo um dos mais controvertidos personagens da história da Igreja Católica. Miguel de Molinos nasceu em 1628, em Saragoça, Espanha, em berço abastado. Embora o material de pesquisa sobre sua família seja escasso, supõe-se que Molinos tenha sido um dos últimos filhos, senão o mais novo, de uma nobre família dessa região, pois era costume da época que os filhos mais jovens da nobreza fossem confiados à Igreja para serem preparados à vida religiosa. Em Valência, Molinos foi educado no Colégio Jesuíta de São Paulo.
Possuidor de grandes habilidades naturais à religiosidade, Molinos se dedicou ao serviço de seus companheiros sem qualquer tipo de ganho para si próprio. Sua vida foi inteiramente consagrada a seus semelhantes e marcada por grande piedade e generosidade. Com o aumento de sua popularidade, a procura pelos conselhos do Padre Molinos se tornou tão grande que ele começou a receber uma certa pressão no sentido de registrar seu pensamento e seus ensinamentos. Deste modo, muitos outros teriam acesso a sua doutrina. Assim, Molinos, por volta de 1673,começou a escrever seu método de consecução espiritual. Em 1675, Molinos publicou seu "O Guia Espiritual", no qual ele expunha, demodo claro e direto, a sua doutrina mística para aquele buscador que desejava enxergar.
O Guia Espiritual de Miguel de Molinos, escrito sem a pompa e a especulativa erudição dos teólogos e autores da época, rapidamente ganhou ocoração dos seus leitores, atingindo, com igual força, tanto o profanoquanto o doutor, alcançando fama na Itália e na Espanha. Em seguida, esselivro ganharia novas traduções, aumentando ainda mais a fama de seu autorpor toda a Europa. Molinos adquiriu tal reputação, que seu nome e suas idéias começaram achamar a atenção de certos segmentos do clero, principalmente de alguns Jesuítas e Dominicanos que, temendo um crescimento ainda maior de sua popularidade, resolveram pôr um fim em sua crescente fama, evitando assim apossibilidade de um novo cisma dentro da Igreja. A morte de Miguel de Molinos na prisão, em dezembro de 1697, e a constante perseguição imposta àqueles que ainda seguiam os seus ensinamentos acabariam por decretar o fim da curta história dos Quietistas.
A filosofia de Molinos, conforme seu Guia Espiritual, diz que, no sublime propósito de se realizar a perfeição cristã, bem como a suprema comunhão com Deus, o homem deverá se submeter inteiramente aos Seus desígnios, com humildade, anulando por completo a sua vontade individual. A vida em si deveria ser um contínuo ato de amor e fé. A via espiritual, portanto, era resumida por uma perfeita quietude de desejos, passividade total da alma suplicante diante de Deus e, de tal modo deveria ser ocomportamento do buscador, que mesmo o desejo de sucesso nessa demanda teriaque ser excluído. Da mesma forma, o desejo de felicidades mundanas, virtudes e qualquer outro tipo de atividade humana, tudo era tido como obstáculo entre a alma e Deus, devendo ser, igualmente, excluídos de seu ser. Conforme Molinos, aquela alma, que porventura galgasse tal estado de aniquilação, se encontraria em uma condição na qual lhe seria impossível cometer erros ou pecados. E mesmo se por acaso essa abençoada alma parecesse pecadora ante os olhos mundanos, ou até se ela parecesse, de modo exterior, violar qualquer um dos mandamentos de Deus ou algum dos preceitos da Igreja, interiormente, ela estaria em perfeita quietude, onde a verdade de sua santidade apenas revelaria em seus atos a própria vontade de Deus. Nesse estado de plena iluminação, as orações, penitências e qualquer luta contra as tentações já não mais seriam os instrumentos utilizados por ela,pois ela estava unida ao Criador.
QUIETISMO
O quietismo é uma concepção místico-religiosa que busca a união do homem com Deus por meio de um estado de passividade ("quiete") e de total abandono davontade que atenua ou suprime toda responsabilidade moral. No âmbito do cristianismo oriental, elementos quietistas podem ser encontrados entre os messalianos ou êuquitas, condenados pelo Concílio de Éfeso (431), e entre os monges hesicastas do monte Atos.
No Ocidente, o quietismo está expresso emalgumas tendências dos cátaros, dos Irmãos do Livre Espírito, dos beguinos ou begardos e dos alumbrados espanhóis. A doutrina do quietismo, porém, só se explicitou no século XVII no âmbito de algumas correntes no seio da Igreja católica, influenciadas pelo protestantismo. Seu principal expoente foi o espanhol Miguel de Molinos, confessor e diretor espiritual muito apreciado em Roma desde 1663, que, em seu "Guia espiritual", sustentava aperfeita quietude e passividade da alma diante de Deus, de forma a excluir toda atividade e aspiração própria do homem. Em 1675, publicou o "Breve tratado sobre a comunhão cotidiana" e o "Guia espiritual que liberta a alma e a conduz pelo caminho interior para alcançar a perfeita contemplação e o rico tesouro da paz interior", em que estão contidos os princípios fundamentais do quietismo, encabeçados pelo princípio da superioridade da contemplação sobre a meditação. Dez anos mais tarde, ao que parece atendendo a solicitação explícita dos jesuítas, Molinos foi preso sob a acusação de heresia (1685). Obrigado a abjurar, por fim foi condenado à prisão perpétua, com a bula "Caelestis Pastor" do papa Inocêncio XI (1687).
Na França, Madame Guyon e seu confessor, F. Lacombe, promoveram o desenvolvimento de tendências quietistas, cujos vestígios também estão presentes na polêmica sobre o "amor puro" entre J. B. Bossuet e F. Fénelon, que terminou com a condenação das teses de Fénelon por Inocêncio XII (1699).
PENSAMENTOS DE MIGUEL DE MOLINOS
"A oração (...) é uma elevação da mente a Deus. E para colocar a mente emDeus, que é a contemplação, é necessário deixar as considerações ediscursos, mesmo elevados, que constituem a meditação. Esta, dizem ossantos, busca, expõe, rumina ou mastiga o alimento divino. E, se estamossempre mastigando ou ruminando a comida na boca e nunca engolimos parasossegá-la e dirigi-la com quietude no estômago, não poderemos viver, nemsustentar-nos, ou tirar proveito algum. A meditação também é um meio parachegar ao término e ao fim, que é a contemplação. A contemplação é encontrara coisa, é saborear e sossegar o alimento divino no estômago, é o fim e aconclusão do caminho, e é chegar a entender e conhecer Deus."
“Veste-te desse nada, dessa miséria, e procura que essa miséria e esse nada seja teu contínuo sustento e morada, até aprofundar-te nela; eu te aseguro que, sendo tu desta maneira o nada, seja o Senhor o todo em tua alma”.
“Ultimamente não mires nada, não desejes nada, não queiras nada, não solicites saber nada, e em tudo viverá tua alma em quietude e gozo descansada. (…) Caminha, caminha por esta segura senda e procura nesse nada submergir-te, perder-te, abismar-te, se queres aniquilar-te, unir-te e transformar-te”.
"O que tu hás de fazer será não fazer nada, procura nesse nada submergir-te... O que importa é preparar teu coração a maneira de um papel em branco, aonde a divina sabedoria possa formar os caracteres a seu gosto".
"A atividade natural é inimiga da Graça, impedindo a ação de Deus e a verdadeira perfeição, porque Deus deseja operar em nós, sem nós".
Possuidor de grandes habilidades naturais à religiosidade, Molinos se dedicou ao serviço de seus companheiros sem qualquer tipo de ganho para si próprio. Sua vida foi inteiramente consagrada a seus semelhantes e marcada por grande piedade e generosidade. Com o aumento de sua popularidade, a procura pelos conselhos do Padre Molinos se tornou tão grande que ele começou a receber uma certa pressão no sentido de registrar seu pensamento e seus ensinamentos. Deste modo, muitos outros teriam acesso a sua doutrina. Assim, Molinos, por volta de 1673,começou a escrever seu método de consecução espiritual. Em 1675, Molinos publicou seu "O Guia Espiritual", no qual ele expunha, demodo claro e direto, a sua doutrina mística para aquele buscador que desejava enxergar.
O Guia Espiritual de Miguel de Molinos, escrito sem a pompa e a especulativa erudição dos teólogos e autores da época, rapidamente ganhou ocoração dos seus leitores, atingindo, com igual força, tanto o profanoquanto o doutor, alcançando fama na Itália e na Espanha. Em seguida, esselivro ganharia novas traduções, aumentando ainda mais a fama de seu autorpor toda a Europa. Molinos adquiriu tal reputação, que seu nome e suas idéias começaram achamar a atenção de certos segmentos do clero, principalmente de alguns Jesuítas e Dominicanos que, temendo um crescimento ainda maior de sua popularidade, resolveram pôr um fim em sua crescente fama, evitando assim apossibilidade de um novo cisma dentro da Igreja. A morte de Miguel de Molinos na prisão, em dezembro de 1697, e a constante perseguição imposta àqueles que ainda seguiam os seus ensinamentos acabariam por decretar o fim da curta história dos Quietistas.
A filosofia de Molinos, conforme seu Guia Espiritual, diz que, no sublime propósito de se realizar a perfeição cristã, bem como a suprema comunhão com Deus, o homem deverá se submeter inteiramente aos Seus desígnios, com humildade, anulando por completo a sua vontade individual. A vida em si deveria ser um contínuo ato de amor e fé. A via espiritual, portanto, era resumida por uma perfeita quietude de desejos, passividade total da alma suplicante diante de Deus e, de tal modo deveria ser ocomportamento do buscador, que mesmo o desejo de sucesso nessa demanda teriaque ser excluído. Da mesma forma, o desejo de felicidades mundanas, virtudes e qualquer outro tipo de atividade humana, tudo era tido como obstáculo entre a alma e Deus, devendo ser, igualmente, excluídos de seu ser. Conforme Molinos, aquela alma, que porventura galgasse tal estado de aniquilação, se encontraria em uma condição na qual lhe seria impossível cometer erros ou pecados. E mesmo se por acaso essa abençoada alma parecesse pecadora ante os olhos mundanos, ou até se ela parecesse, de modo exterior, violar qualquer um dos mandamentos de Deus ou algum dos preceitos da Igreja, interiormente, ela estaria em perfeita quietude, onde a verdade de sua santidade apenas revelaria em seus atos a própria vontade de Deus. Nesse estado de plena iluminação, as orações, penitências e qualquer luta contra as tentações já não mais seriam os instrumentos utilizados por ela,pois ela estava unida ao Criador.
QUIETISMO
O quietismo é uma concepção místico-religiosa que busca a união do homem com Deus por meio de um estado de passividade ("quiete") e de total abandono davontade que atenua ou suprime toda responsabilidade moral. No âmbito do cristianismo oriental, elementos quietistas podem ser encontrados entre os messalianos ou êuquitas, condenados pelo Concílio de Éfeso (431), e entre os monges hesicastas do monte Atos.
No Ocidente, o quietismo está expresso emalgumas tendências dos cátaros, dos Irmãos do Livre Espírito, dos beguinos ou begardos e dos alumbrados espanhóis. A doutrina do quietismo, porém, só se explicitou no século XVII no âmbito de algumas correntes no seio da Igreja católica, influenciadas pelo protestantismo. Seu principal expoente foi o espanhol Miguel de Molinos, confessor e diretor espiritual muito apreciado em Roma desde 1663, que, em seu "Guia espiritual", sustentava aperfeita quietude e passividade da alma diante de Deus, de forma a excluir toda atividade e aspiração própria do homem. Em 1675, publicou o "Breve tratado sobre a comunhão cotidiana" e o "Guia espiritual que liberta a alma e a conduz pelo caminho interior para alcançar a perfeita contemplação e o rico tesouro da paz interior", em que estão contidos os princípios fundamentais do quietismo, encabeçados pelo princípio da superioridade da contemplação sobre a meditação. Dez anos mais tarde, ao que parece atendendo a solicitação explícita dos jesuítas, Molinos foi preso sob a acusação de heresia (1685). Obrigado a abjurar, por fim foi condenado à prisão perpétua, com a bula "Caelestis Pastor" do papa Inocêncio XI (1687).
Na França, Madame Guyon e seu confessor, F. Lacombe, promoveram o desenvolvimento de tendências quietistas, cujos vestígios também estão presentes na polêmica sobre o "amor puro" entre J. B. Bossuet e F. Fénelon, que terminou com a condenação das teses de Fénelon por Inocêncio XII (1699).
PENSAMENTOS DE MIGUEL DE MOLINOS
"A oração (...) é uma elevação da mente a Deus. E para colocar a mente emDeus, que é a contemplação, é necessário deixar as considerações ediscursos, mesmo elevados, que constituem a meditação. Esta, dizem ossantos, busca, expõe, rumina ou mastiga o alimento divino. E, se estamossempre mastigando ou ruminando a comida na boca e nunca engolimos parasossegá-la e dirigi-la com quietude no estômago, não poderemos viver, nemsustentar-nos, ou tirar proveito algum. A meditação também é um meio parachegar ao término e ao fim, que é a contemplação. A contemplação é encontrara coisa, é saborear e sossegar o alimento divino no estômago, é o fim e aconclusão do caminho, e é chegar a entender e conhecer Deus."
“Veste-te desse nada, dessa miséria, e procura que essa miséria e esse nada seja teu contínuo sustento e morada, até aprofundar-te nela; eu te aseguro que, sendo tu desta maneira o nada, seja o Senhor o todo em tua alma”.
“Ultimamente não mires nada, não desejes nada, não queiras nada, não solicites saber nada, e em tudo viverá tua alma em quietude e gozo descansada. (…) Caminha, caminha por esta segura senda e procura nesse nada submergir-te, perder-te, abismar-te, se queres aniquilar-te, unir-te e transformar-te”.
"O que tu hás de fazer será não fazer nada, procura nesse nada submergir-te... O que importa é preparar teu coração a maneira de um papel em branco, aonde a divina sabedoria possa formar os caracteres a seu gosto".
"A atividade natural é inimiga da Graça, impedindo a ação de Deus e a verdadeira perfeição, porque Deus deseja operar em nós, sem nós".
(A perfeita aniquilação):
"ter-se em baixa estima a si
mesmo e a todas as coisas do mundo".
"Veste-te desse nada e dessa miséria, e procura que essa miséria e
esse nada sejam teu continuo sustento e morada".
"Pelo caminho do nada hás de chegar a perder-te em Deus, que é o
último grau da perfeição".
(Sobre a auto-estima)
“Esta hidra de sete cabeças do amor próprio se ha de degolar para chegar ao
cume do alto monte da paz”.
“Não está a graça em gozar, senão em padecer com quietude e
resignação".
. “As tentações, são uma grande felicidade. O modo de
rechaça-las é não fazer caso delas, porque a maior das tentações é não te-las”.
“O verdadeiro amor se conhece em seus frutos, que são uma
humilhação profunda e um desejo sincero de ser mortificado e desprezado. No fundo
de nossa alma está o assento da felicidade, alí nos descobre o Senhor suas
maravilhas. Perdámo-nos, submerjámo-nos no mar imenso de sua bondade infinita, e
fiquemos alí fixos e imóveis. Morramos sem cessar para nós mesmos; conheçamos nossa
miseria”.
JULIANA DE NORWICH (1342-1421)
Juliana nasceu em 1342 e faleceu em Norwich, Inglaterra em 1421. Beneditina ela foi uma reclusa em Norwich, vivendo fora das paredes só quando ia a Igreja de São Julião e experimentou 16 revelações.
O seu livro “Revelations of Divine Love” (Revelações do Amor Divino) que é um excepcional trabalho sobree o amor de Deus, na Incarnação, Redenção e na Divina Consolação, fez dela uma das mais importantes escritoras da Inglaterra. Ela escreveu sobre o pecado, penitencia e outros aspectos da vida espiritual e seus trabalhos brilhantes atraíram estudiosos de toda a Europa. Ela é chamada Santa mas na verdade não foi formalmente canonizada.
Entre as místicas inglesas nenhuma é mais notável que Lady Juliana que viveu perto de Norwich, em uma ermida de três quartos no quintal da igreja de Conisford. Absolutamente nada é conhecido da sua vida antes de se tornar uma Beneditina reclusa.De fato nem sabemos se seu nome era esse mesmo ou a ela foi dado o nome da cela em que ela vivia.
Em 1393 Lady Juliana era uma reclusa e tinha dois serventes que a atendiam quando atingiu a idade avançada. Ela recebeu 16 revelações e passou 20 anos meditando sobre elas. As revelações foram seguidas de estado de êxtase, da Paixão de Cristo e da Trindade.Ela viu o sangue vermelho fluindo sob a Coroa de Espinhos, viu a Virgem como uma jovem e simples senhora. Viu Jesus mostrando a ela uma castanha na palma de sua mão. Ela pensou: “O que será isso?” e Ele respondeu: “Isto é tudo que é criado. Deus deu forma, Deus deu vida, Deus mantém ela assim.”
Assim ela aprendeu a bondade de Deus “para o qual a nossa mais elevada das preces deve ser dirigida”. “O qual desce para atender as nossas menores necessidades”. E ainda em relação a cruz ela viu a misericórdia Divina caindo como uma fina chuva de graças durante a Sua Paixão. Ela viu o Senhor morrendo e os Seus terríveis tormentos e a agonia de Seus sofrimentos e escreveu: “Assim eu O vi e eu O amava”.
Para Juliana de Norwich, a maternidade, representa a plenitude de Deus em criar, redimir e chamar o mundo à liberdade. Igualmente, também Jesus Cristo “é a nossa verdadeira Mãe”, que nos nutre e não permite que morramos, porque o amor da mãe é o amor total que não admite derrota. Na época de sua morte ela tinha uma vastíssima reputação e atraía visitantes de toda a Inglaterra para a sua cela.
PENSAMENTOS DE JULIANA DE NORWICH
"A nossa verdadeira Mãe, Jesus, ele somente nos gera para a alegria e a vida eterna […] Por isso é para ele como uma obrigação nos nutrir, porque o precioso amor da maternidadeo fez devedor para conosco. Uma mãe pode dar à criança seu leite para mamar, mas a nossa caríssima Mãe Jesus é capaz de nos nutrir de si mesmo […] A palavra “mãe”, bela e cheia de amor, é em si tão doce e gentil que não pode ser propriamente dita de ninguém e a ninguém a não ser dele e a ele, que é a verdadeira Mãe da vida e de tudo. São propriedades da maternidade o amor natural, a sabedoria e o conhecimento, e isto é Deus"
“Uma mãe pode deixar que a criança caia de vez em quando e sofra diversas dificuldades, e isso para o seu bem, mas não pode nunca permitir, pelo amor que tem por ela, que a criança seja vítima de qualquer perigo. E também se a nossa mãe terrena pode deixar morrer a sua criança, a nossa Mãe celeste, Jesus, não pode nunca permitir que os seus filhos pereçam, porque ele é onipotente, toda sabedoria e amor".
"Eu sou o fundamento da tua súplica; primeiro é minha vontade que recebas o que suplicas; depois, faço-te desejá-lo; e então faço-te suplicá-lo e tu o suplicas. Como pois não haverias de receber o que suplicas?"
"Aprendi, pela graça de Deus, que é necessário manter-me firmemente na fé, e acreditar com não menos firmeza que todas as coisas são boas... E verás que todas as coisas são boas"
"Nós somos tão preciosamente amados de Deus que não podemos sequer compreender isto. Nenhum ser criado pode saber o quanto Deus doce e ternamente o ama"
"Fazer vencer o bem sobre o mal é uma característica de Deus".
"Por conseguinte, Jesus Cristo, que, opondo-se, venceu o mal com o bem, é a nossa verdadeira Mãe: d’Ele nós recebemos o nosso 'Ser'- e aqui tem início a Sua Maternidade - e com esse recebemos também a doce Proteção e Custódia do Amor que não cessará de nos rodear".
"Como é verdade que Deus é nosso Pai, assim também é verdade que Deus é nossa Mãe. E esta verdade Ele me mostrou em cada coisa, mas especialmente naquelas doces palavras nas quais Ele diz: 'Eu o sou'”.
"O que é o mesmo que dizer, eu sou a Potência e a Bondade do Pai; eu sou a sabedoria da Mãe; eu sou a Luz e a Graça que é o bem-aventurado amor; eu sou a Trindade; eu sou a Unidade; eu sou a Bondade soberana de todas as coisas; eu sou Aquele que te faz amar, eu sou Aquele que te faz desejar, eu sou o acontentamento infinito de todos os verdadeiros desejos".
"O nosso Pai altíssimo, Deus Onipotente, que é o Ser, conhece-nos e ama-nos desde sempre: de tal forma que, pela sua maravilhosa e profunda caridade e pelo unânime consenso de toda a bem-aventurada Trindade, Ele quis que a Segunda Pessoa se tornasse nossa Mãe, nosso Irmão, nosso Salvador".
"É, portanto, lógico que, sendo Deus nosso Pai, seja também nossa Mãe. O nosso Pai quer, a nossa Mãe realiza e o nosso bom Senhor, o Espírito Santo, confirma; portanto, convém-nos amar o nosso Deus, no qual temos o Ser, agradecê-lo com reverência e louvá-lo por nos ter criado, e orar ardentemente à nossa Mãe para obter misericórdia e piedade, e orar ao nosso Senhor, o Espírito Santo, para obter a sua ajuda e graça".
"E vi com toda a certeza que Deus nos amou antes de nos ter criado, e que o Seu amor nunca diminuiu, e nunca diminuirá. Neste amor Ele fez todas as Suas obras e neste amor Ele faz concorrer todas as coisas em nosso benefício; e neste amor a nossa vida é eterna".
"Na criação nós tivemos um início, mas o amor com o qual Ele nos Criou existia n’Ele desde sempre: e neste amor nós temos o nosso início. E veremos tudo isto em Deus, eternamente."
"Então vi que, no meu entender, era uma grande união entre Cristo e nós; pois quando Ele padecia, padecíamos também. E todas as criaturas que podiam sofrer sofriam com Ele".
O seu livro “Revelations of Divine Love” (Revelações do Amor Divino) que é um excepcional trabalho sobree o amor de Deus, na Incarnação, Redenção e na Divina Consolação, fez dela uma das mais importantes escritoras da Inglaterra. Ela escreveu sobre o pecado, penitencia e outros aspectos da vida espiritual e seus trabalhos brilhantes atraíram estudiosos de toda a Europa. Ela é chamada Santa mas na verdade não foi formalmente canonizada.
Entre as místicas inglesas nenhuma é mais notável que Lady Juliana que viveu perto de Norwich, em uma ermida de três quartos no quintal da igreja de Conisford. Absolutamente nada é conhecido da sua vida antes de se tornar uma Beneditina reclusa.De fato nem sabemos se seu nome era esse mesmo ou a ela foi dado o nome da cela em que ela vivia.
Em 1393 Lady Juliana era uma reclusa e tinha dois serventes que a atendiam quando atingiu a idade avançada. Ela recebeu 16 revelações e passou 20 anos meditando sobre elas. As revelações foram seguidas de estado de êxtase, da Paixão de Cristo e da Trindade.Ela viu o sangue vermelho fluindo sob a Coroa de Espinhos, viu a Virgem como uma jovem e simples senhora. Viu Jesus mostrando a ela uma castanha na palma de sua mão. Ela pensou: “O que será isso?” e Ele respondeu: “Isto é tudo que é criado. Deus deu forma, Deus deu vida, Deus mantém ela assim.”
Assim ela aprendeu a bondade de Deus “para o qual a nossa mais elevada das preces deve ser dirigida”. “O qual desce para atender as nossas menores necessidades”. E ainda em relação a cruz ela viu a misericórdia Divina caindo como uma fina chuva de graças durante a Sua Paixão. Ela viu o Senhor morrendo e os Seus terríveis tormentos e a agonia de Seus sofrimentos e escreveu: “Assim eu O vi e eu O amava”.
Para Juliana de Norwich, a maternidade, representa a plenitude de Deus em criar, redimir e chamar o mundo à liberdade. Igualmente, também Jesus Cristo “é a nossa verdadeira Mãe”, que nos nutre e não permite que morramos, porque o amor da mãe é o amor total que não admite derrota. Na época de sua morte ela tinha uma vastíssima reputação e atraía visitantes de toda a Inglaterra para a sua cela.
PENSAMENTOS DE JULIANA DE NORWICH
"A nossa verdadeira Mãe, Jesus, ele somente nos gera para a alegria e a vida eterna […] Por isso é para ele como uma obrigação nos nutrir, porque o precioso amor da maternidadeo fez devedor para conosco. Uma mãe pode dar à criança seu leite para mamar, mas a nossa caríssima Mãe Jesus é capaz de nos nutrir de si mesmo […] A palavra “mãe”, bela e cheia de amor, é em si tão doce e gentil que não pode ser propriamente dita de ninguém e a ninguém a não ser dele e a ele, que é a verdadeira Mãe da vida e de tudo. São propriedades da maternidade o amor natural, a sabedoria e o conhecimento, e isto é Deus"
“Uma mãe pode deixar que a criança caia de vez em quando e sofra diversas dificuldades, e isso para o seu bem, mas não pode nunca permitir, pelo amor que tem por ela, que a criança seja vítima de qualquer perigo. E também se a nossa mãe terrena pode deixar morrer a sua criança, a nossa Mãe celeste, Jesus, não pode nunca permitir que os seus filhos pereçam, porque ele é onipotente, toda sabedoria e amor".
"Eu sou o fundamento da tua súplica; primeiro é minha vontade que recebas o que suplicas; depois, faço-te desejá-lo; e então faço-te suplicá-lo e tu o suplicas. Como pois não haverias de receber o que suplicas?"
"Aprendi, pela graça de Deus, que é necessário manter-me firmemente na fé, e acreditar com não menos firmeza que todas as coisas são boas... E verás que todas as coisas são boas"
"Nós somos tão preciosamente amados de Deus que não podemos sequer compreender isto. Nenhum ser criado pode saber o quanto Deus doce e ternamente o ama"
"Fazer vencer o bem sobre o mal é uma característica de Deus".
"Por conseguinte, Jesus Cristo, que, opondo-se, venceu o mal com o bem, é a nossa verdadeira Mãe: d’Ele nós recebemos o nosso 'Ser'- e aqui tem início a Sua Maternidade - e com esse recebemos também a doce Proteção e Custódia do Amor que não cessará de nos rodear".
"Como é verdade que Deus é nosso Pai, assim também é verdade que Deus é nossa Mãe. E esta verdade Ele me mostrou em cada coisa, mas especialmente naquelas doces palavras nas quais Ele diz: 'Eu o sou'”.
"O que é o mesmo que dizer, eu sou a Potência e a Bondade do Pai; eu sou a sabedoria da Mãe; eu sou a Luz e a Graça que é o bem-aventurado amor; eu sou a Trindade; eu sou a Unidade; eu sou a Bondade soberana de todas as coisas; eu sou Aquele que te faz amar, eu sou Aquele que te faz desejar, eu sou o acontentamento infinito de todos os verdadeiros desejos".
"O nosso Pai altíssimo, Deus Onipotente, que é o Ser, conhece-nos e ama-nos desde sempre: de tal forma que, pela sua maravilhosa e profunda caridade e pelo unânime consenso de toda a bem-aventurada Trindade, Ele quis que a Segunda Pessoa se tornasse nossa Mãe, nosso Irmão, nosso Salvador".
"É, portanto, lógico que, sendo Deus nosso Pai, seja também nossa Mãe. O nosso Pai quer, a nossa Mãe realiza e o nosso bom Senhor, o Espírito Santo, confirma; portanto, convém-nos amar o nosso Deus, no qual temos o Ser, agradecê-lo com reverência e louvá-lo por nos ter criado, e orar ardentemente à nossa Mãe para obter misericórdia e piedade, e orar ao nosso Senhor, o Espírito Santo, para obter a sua ajuda e graça".
"E vi com toda a certeza que Deus nos amou antes de nos ter criado, e que o Seu amor nunca diminuiu, e nunca diminuirá. Neste amor Ele fez todas as Suas obras e neste amor Ele faz concorrer todas as coisas em nosso benefício; e neste amor a nossa vida é eterna".
"Na criação nós tivemos um início, mas o amor com o qual Ele nos Criou existia n’Ele desde sempre: e neste amor nós temos o nosso início. E veremos tudo isto em Deus, eternamente."
"Então vi que, no meu entender, era uma grande união entre Cristo e nós; pois quando Ele padecia, padecíamos também. E todas as criaturas que podiam sofrer sofriam com Ele".
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